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“Sexo e as negas”?

Categoria(s): | Publicado em: 10 de setembro de 2014
Elenco de "Sexo e As Negas" e o Autor

Elenco de “Sexo e As Negas” e o Autor

Gatíssimos, como nós estamos chatos, hein?

Que bafafá é esse em torno de “Sexo e As Negas”? Uma minissérie que nem estreou? Segundo o autor, Miguel Falabella, o seriado é inspirado na série americana “Sex And The City” (amo) e quem já viu, pode comprovar o quanto enaltece as mulheres, assinalando a importância de se valorizar o querer e o ser feminino. A mulher também tem o direito de falar de sexo, de fazer sexo e de querer sexo. É saudável, todo mundo faz ou quer fazer, mas ainda “trabalhados no moralismo exacerbado” fingem que não. É ainda a história da culpa católica? O seriado não é machista, pelo contrário, poderíamos chamar de feminista, de revolucionário. Assisti a todos os episódios e filmes, sou louca pelas aventuras de Carrie, Samantha, Charlote e Miranda e, muitas vezes, vi nelas falas que queria que fossem ou eram minhas. O apaixonar-se, desapaixonar-se, o lidar bem com o corpo, com os quereres, com as vontades, as frustrações… Mulheres que dizem “sim” e dizem “não”, mulheres que são donas de suas vontades, desejos e fantasias.

Quando o autor falou que bebeu na fonte desse seriado, fiquei muito curiosa e quando soube as quatro protagonistas seriam mulheres negras, pulei de alegria! Que não tenham gostado do nome, ok. É cafona mesmo e, a primeira vista, tendencioso. E ainda como passa na TV com  a voz de Miguel Falabella fazendo a chamada, piorou. Chulo demais. Mas eu também acho o nome americano brega. Traduzindo seria “O Sexo e A Cidade”. Oi? Concordo que ouvindo assim, o nome da versão brasileira, nu e cru, sugere várias coisas. Coisas positivas e negativas. Mas a pergunta é: Por que escolher as coisas negativas antes de saber qual é a proposta?  Qual é o problema de ser na favela? Vi um monte de gente reclamando disso. Por que não ser no Leblon? Oi? E por que tem que ser? Por que o Leblon é sinônimo de coisa boa e a favela não? Há quanto tempo não sonhamos em ver atores negros protagonistas da Globo? Há quanto tempo não brigamos por mais espaço na TV? Mulheres buscando o seu papel de respeito numa sociedade machista e ultrapassada? Ô sonho bom! E esse “auê” todo só provou isso. Que somos completamente machistas e ultrapassados. E o pior: escondemos tudo isso atrás de causas legítimas. Porque lutar contra o racismo é um de nossos maiores desafios. Ele (o racismo) é nocivo, é indecente, é desrespeitoso e leviano. Mas vamos combinar que muitas vezes a gente está surtando? Sou negra, mulher, atriz e não vi mal algum em ver mulheres negras falando de sexo. A gente fala de preconceito e está fazendo igual. Ninguém viu nenhum capítulo pra questionar o que quer que seja. Se seremos vistas como objetos ou não, vamos ver primeiro e depois a gente conversa. Que tal?

É claro que precisamos estar atentos, mas isso não quer dizer “estar censores”. Uma coisa foi aquele episódio da cerveja Devassa, onde havia várias opções de cervejas e justamente a  que se referia a negra era a mais baixo astral, estereotipada. Aliás, associar cerveja à mulher, é completamente equivocado e de ultima, vamos combinar? E quando associam isso também às suas cores e etnias fica mais puxado ainda.

Miguel Falabella pode ser cafona, mas quem acompanha o trabalho dele durante todos esses anos na TV, deve ter percebido que sempre teve um olhar mais popular. Não seria no Leblon, porque o Leblon é de Manoel Carlos. Não seria na Barra da Tijuca, porque esta é de Agnaldo Silva. Miguel gosta da periferia, da favela, do popular (não popularesco) e isso é massa! Seus trabalhos sempre tiveram negros, brancos, ricos e pobres misturados. Sempre recheados de críticas sociais, acobertadas pelo humor. Se foram coisas boas ou ruins, são outros quinhentos. Até porque hoje em dia coisa boa na TV está difícil. Não sou muito fã das obras dele, mas não vamos bancar os censores, “os senhores da razão”, novos “senhores de escravos”. Vamos ver. Se nos ferir,  a gente processa, a gente discute, a gente debate… Mas julgar antes de conhecer, é  preconceito, é CENSURA. E não é essa a nossa luta, né? CENSURAR é coisa pra quem deve. E sabemos muito bem que não somos nós os verdadeiros devedores.

O objetivo é mostrar que somos iguais e não inverter a ordem da discriminação. Não é uma briga contra branco, é contra o preconceito. E a gente não pode combater isso fazendo o mesmo. Um pouco mais de serenidade e coerência não fazem mal para ninguém. Porque respeito é bom e, graças a Deus, todo mundo gosta.

Que as meninas atrizes arrasem, que venham pra ficar, que seja ótimo e que “as negas” sejam vitoriosas e donas de suas vidas!

Fiquem bem e sigamos!