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Ainda sobre sexo, as negas e outras coisitas…

Categoria(s): | Publicado em: 20 de setembro de 2014

Olá, gatíssimos !!!

Essa semana foi coisa, né? Finalmente “Sexo e as Negas”, o seriado polêmico de Miguel Malabella estreou. Como já falei, não sou muito fã dele. E confesso que só assisti ao primeiro capítulo pelo alarde. Não perco meu sono por quase nada nessa vida. Referências? Me desculpem, mas não é na TV que as busco, apesar de me identificar com algumas coisas. Mas se for pra ter referências, temos algumas, sim. Então, por que não falar das boas? Tivemos a belíssima novela “Lado a Lado”, temos brilhando na TV os atores Lázaro Ramos, Taís Araujo, Milton Gonçalves, Camila Pitanga, Ailton Graça, Fabrício Boliveira, Zezé Mota, Sheron Menezes, no telejornal Gloria Maria, Heraldo Pereira… E quero ver isso ver isso crescer, cada vez mais.

Quanto à versão daqui de “Sex And The City” (história das quatro mulheres novaiorquinas que chegou em minha vida num momento muito delicado de desapego e que foi providencial), gostei das musicas (liiiiiiiiiiindas), das atrizes (boas e liiiiiindas)… Mas do seriado em si, ok, eu deixaria passar. Se não fosse tanto barulho seria mais um, como “Pé na cova” e tantos outros sem sal e sem açúcar que ele costuma fazer. E ele sempre fez folclore das coisas, gente. Deem uma googlada e comprovem. Mas foi tanto alarde, que audiência pipocou, de certo.

Não, eu não sou da turma que defende o seriado. Apenas não super valorizo. E que também queria ver antes de declarar qualquer coisa. Fico assustada com a hoje “volta da ditadura disfarçada de questionamentos”. As pessoas não querem mais discutir, ponderar, conversar,  “conhecer antes de…”. A moda agora é ofender, é brigar, é ameaçar. E se você não concordar com ela, passar a fazer parte da facção “estúpida”. Vi muita gente compartilhando com o texto “Olha o que o estupido fez ou falou”. Desculpe, mas se sentir ofendido não lhe dá o direito de ofender. E é exatamente que fazem com quem não vota no candidato da preferência, no time do coração, não detesta a Globo e blá, blá, blá. Na boa, “tá tudo fora da ordem”.

Sim, eu sou da turma que não odeia a Globo, mas que também não a considera a coisa mais importante do mundo. Esse endeusamento é que é um dos maiores problemas. Dizem que não gostam, mas não vivem sem. Acho que dão muita importância a algo que não tem o papel de educar. Poderia também. Mas ninguém se iluda. A TV está aí para lucrar e entreter. Até teria outro papel, em outro mundo, onde as pessoas se ouvissem e gostassem de consumir a verdade e o que é educativo. Querem prova? Dou várias. Quantas vezes você acordou cedo pra assistir ao “Globo Ecologia”? E “Pequenas Empresas, Grandes Negócios”? Seu filho conhece o “Palavra Encantada”? Você sabe qual é a principal atividade econômica do Acre? Qual é o nome que se dá ao encontro do mar com o Rio Amazonas? Quais são os principais programas infantis da TV Educadora? Inclusive é a TV Educadora, empresa paga também por nós que, portanto, nos deve  “satisfação” e “obediência”. As outras são particulares, podem fazer o que quiser. É claro que dentro da lei. Se nos sentimos ofendidos, temos muitos diretos, inclusive, um processo… Mas sem essa de querer moralizar… A luta é pela igualdade, não pelos “bons costumes”, sacou?

A gente precisa é aprender a desligar a TV, quando não for o que a gente quiser ver e/ou ouvir. É comprar livros, conversar com os vizinhos, tomar um chá com bolo com os amigos, comprar DVD pra assistir  e, quando quiser, ligar a TV novamente. E conversar sobre. Se Sexo e As Negas não nos representa, por que não dialogar a respeito, ao invés de combater o incombatível, e dar forças para quem não tem?

A luta do negro pelo respeito é antiga e legítima. Não vamos enfraquecer essa busca, que existe antes mesmo da gente sonhar em nascer.  Falamos tanto em Mandela, tanto em Martin Luther King, bravos guerreiros, que lutaram pela IGUALDADE (sem violência) e agimos como os temidos barões do cacau: “Não gosto, não sei quem é, não me interessa, acaba, não vai existir”. Menos, bem menos.

Confesso também que, por outro lado, estou adorando o debate, ver gente se posicionando, mostrando não engolir toda e qualquer coisa. Nada ali tem que nos representar. Alguém vai assistir o novo seriado de Glória Peres, sobre o psicopata buscando referência? Não, né? Vamos conversar, vamos debater, refletir… Mas censurar? Ai, que preguiça.

É lógico que todo racista precisa ser punido. Por isso, vamos tomar cuidado com esse termo, pra não enfraquecer uma causa que é justa. Fico pra morrer quando ouço “alguém dizer que agora tudo é racismo”. Não, nem tudo é racismo. Mas é. Fiquemos ligados, mas tomemos cuidado pra de vítima, não virarmos réus. É só do que eles precisam. Nos enfraquecer, nos fragilizar, nos desmoralizar. Tem muita gente por aí se fazendo de bonzinho, principalmente em época de eleições, querendo “trocar votos por dentadura”.

Vumbora? Mas leve, porque tem muita coisa querendo atrasar nosso lado. Sigamos pra frente.

Respeito é bom e todo mundo gosta. Foto tirada da internet (http://klaucio7.blogspot.com.br/2013_11_01_archive.html)

Respeito é bom e todo mundo gosta.
Foto tirada da internet (http://klaucio7.blogspot.com.br/2013_11_01_archive.html)

Beijo

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“Sexo e as negas”?

Categoria(s): | Publicado em: 10 de setembro de 2014
Elenco de "Sexo e As Negas" e o Autor

Elenco de “Sexo e As Negas” e o Autor

Gatíssimos, como nós estamos chatos, hein?

Que bafafá é esse em torno de “Sexo e As Negas”? Uma minissérie que nem estreou? Segundo o autor, Miguel Falabella, o seriado é inspirado na série americana “Sex And The City” (amo) e quem já viu, pode comprovar o quanto enaltece as mulheres, assinalando a importância de se valorizar o querer e o ser feminino. A mulher também tem o direito de falar de sexo, de fazer sexo e de querer sexo. É saudável, todo mundo faz ou quer fazer, mas ainda “trabalhados no moralismo exacerbado” fingem que não. É ainda a história da culpa católica? O seriado não é machista, pelo contrário, poderíamos chamar de feminista, de revolucionário. Assisti a todos os episódios e filmes, sou louca pelas aventuras de Carrie, Samantha, Charlote e Miranda e, muitas vezes, vi nelas falas que queria que fossem ou eram minhas. O apaixonar-se, desapaixonar-se, o lidar bem com o corpo, com os quereres, com as vontades, as frustrações… Mulheres que dizem “sim” e dizem “não”, mulheres que são donas de suas vontades, desejos e fantasias.

Quando o autor falou que bebeu na fonte desse seriado, fiquei muito curiosa e quando soube as quatro protagonistas seriam mulheres negras, pulei de alegria! Que não tenham gostado do nome, ok. É cafona mesmo e, a primeira vista, tendencioso. E ainda como passa na TV com  a voz de Miguel Falabella fazendo a chamada, piorou. Chulo demais. Mas eu também acho o nome americano brega. Traduzindo seria “O Sexo e A Cidade”. Oi? Concordo que ouvindo assim, o nome da versão brasileira, nu e cru, sugere várias coisas. Coisas positivas e negativas. Mas a pergunta é: Por que escolher as coisas negativas antes de saber qual é a proposta?  Qual é o problema de ser na favela? Vi um monte de gente reclamando disso. Por que não ser no Leblon? Oi? E por que tem que ser? Por que o Leblon é sinônimo de coisa boa e a favela não? Há quanto tempo não sonhamos em ver atores negros protagonistas da Globo? Há quanto tempo não brigamos por mais espaço na TV? Mulheres buscando o seu papel de respeito numa sociedade machista e ultrapassada? Ô sonho bom! E esse “auê” todo só provou isso. Que somos completamente machistas e ultrapassados. E o pior: escondemos tudo isso atrás de causas legítimas. Porque lutar contra o racismo é um de nossos maiores desafios. Ele (o racismo) é nocivo, é indecente, é desrespeitoso e leviano. Mas vamos combinar que muitas vezes a gente está surtando? Sou negra, mulher, atriz e não vi mal algum em ver mulheres negras falando de sexo. A gente fala de preconceito e está fazendo igual. Ninguém viu nenhum capítulo pra questionar o que quer que seja. Se seremos vistas como objetos ou não, vamos ver primeiro e depois a gente conversa. Que tal?

É claro que precisamos estar atentos, mas isso não quer dizer “estar censores”. Uma coisa foi aquele episódio da cerveja Devassa, onde havia várias opções de cervejas e justamente a  que se referia a negra era a mais baixo astral, estereotipada. Aliás, associar cerveja à mulher, é completamente equivocado e de ultima, vamos combinar? E quando associam isso também às suas cores e etnias fica mais puxado ainda.

Miguel Falabella pode ser cafona, mas quem acompanha o trabalho dele durante todos esses anos na TV, deve ter percebido que sempre teve um olhar mais popular. Não seria no Leblon, porque o Leblon é de Manoel Carlos. Não seria na Barra da Tijuca, porque esta é de Agnaldo Silva. Miguel gosta da periferia, da favela, do popular (não popularesco) e isso é massa! Seus trabalhos sempre tiveram negros, brancos, ricos e pobres misturados. Sempre recheados de críticas sociais, acobertadas pelo humor. Se foram coisas boas ou ruins, são outros quinhentos. Até porque hoje em dia coisa boa na TV está difícil. Não sou muito fã das obras dele, mas não vamos bancar os censores, “os senhores da razão”, novos “senhores de escravos”. Vamos ver. Se nos ferir,  a gente processa, a gente discute, a gente debate… Mas julgar antes de conhecer, é  preconceito, é CENSURA. E não é essa a nossa luta, né? CENSURAR é coisa pra quem deve. E sabemos muito bem que não somos nós os verdadeiros devedores.

O objetivo é mostrar que somos iguais e não inverter a ordem da discriminação. Não é uma briga contra branco, é contra o preconceito. E a gente não pode combater isso fazendo o mesmo. Um pouco mais de serenidade e coerência não fazem mal para ninguém. Porque respeito é bom e, graças a Deus, todo mundo gosta.

Que as meninas atrizes arrasem, que venham pra ficar, que seja ótimo e que “as negas” sejam vitoriosas e donas de suas vidas!

Fiquem bem e sigamos!