CADA UM TEM A PATRÍCIA QUE MERECE!

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18 de abril de 2015

Como manda o figurino de Cássio Caiazzo – parte II

Essa é a segunda e ultima parte do bate papo com Cássio Caiazzo. Na primeira parte (CLIQUE AQUI PRA CONFERIR), ele nos contou o início de sua trajetória e como “Como Manda o Figurino”, quadro do programa Fantástico, da Rede Globo, surgiu em sua vida. Agora, Cássio nos conta mais sobre essa experiência e quais são os seus planos para o futuro.

Ousadia, personalidade, determinação e alegria, com certeza, são características marcantes da personalidade artística dele. E isso, certeza, o mundo, em breve saberá. Competência para isso, ele tem mostrado que tem. Eu aposto que ele vai dar muito o que falar e lhe desejo BOA SORTE !!!

Cássio Caiazzo

Cássio Caiazzo

Bom, os seus figurinos no quadro, a meu ver, eram os mais ousados e com mais personalidade dentro do quadro. Conte-me um pouco sobre o seu estilo. E Quais são as suas inspirações?

Em se tratando de figurino, o meu primeiro estilo tem a ver com a pesquisa! Me interessa entender e pesquisar o perfil da personagem, o período cronológico histórico e a referência estética a ser seguida. A partir desse entendimento, alio o processo de criação ao de pesquisa de mercado e materiais, pois tenho que criar já sabendo se o que preciso tem ou não no mercado e, assim, vou encaixando o que posso fazer, com o que tenho pra fazer (rsrs).

E falar sobre inspiração, para mim, é importantíssimo, pois tem a ver com percepções. E é na rua que tenho essas percepções, com formas, combinações, colorações e possibilidades que tento entender, decifrar e armazenar, às vezes tento desenhá-las ou fotografá-las. A inspiração vem com o desafio de cada trabalho, onde me permito estar mais sensível a perceber movimentos que me acrescentem no processo criativo, seja ver um show, exposição, filme, livro, lazer, pôr do sol e natureza.

Qual saldo você tira dessa experiência e quais os novos projetos? Como você enxerga a moda hoje em dia? O que é IN e o que é OUT?

Essa experiência veio num momento certo e de precisão de um reconhecimento a uma dedicação para o meu fazer artístico e criativo. Viver de arte na cidade já é difícil, ainda mais tentar viver da arte, somente com o viés que mais me encantava que é o processo de criação de figurino.

Tive todas as oportunidades praticamente “cavadas a unha” e muitas conquistadas pela confiança do cliente em já me vê fazendo o meu trabalho. Gostaria muito que diretores artísticos da cidade pudessem ter atenção e dar oportunidades a novos profissionais das diversas áreas artísticas, e o meu projeto é esse: trabalhar!!!

Quero muito trabalhar na minha cidade, poder me sustentar e não só sobreviver. E talvez essa seja a minha maior ambição. Estou afim e quero muito trabalhar, estou aberto a propostas como também vou buscar oportunidades. Descobri que sou bom no que faço e que posso ser melhor. E só posso ser melhor com o exercício, com a prática, com os desafios, acertos e erros, caminhando…

Sobre a moda… Moda é Industria, moda é consumo, moda é desejo e satisfação, é o prazer, o gozo econômico! Por ser formado e especializado na área, convivendo e vivendo nela, percebo que as pessoas confundem ou não sabem sobre a diferença entre o que é estilo e tendências de moda e como esse contexto está ligado ao desenvolvimentos tecnológicos e industriais. Hoje vivemos num mundo sem fronteiras comerciais, e isso faz com que naturalmente a gente valorize e consuma mais o que é de fora, do que o que é feito aqui.

IN pra mim, é tudo aquilo que proporcione conforto, identidade e consciência e OUT é usar etiquetas pelas marcas, para ser igual a todo mundo, porque todo mundo tem. O que todo mundo tem é corpo e mente e saúde tem que ser a etiqueta cultivada.

Para quem você prefere trabalhar? Quem e/ou que você gosta de vestir? Teatro, cinema, televisão ou moda?

Eu prefiro trabalhar sempre com algo que possa aprender ou possa arriscar algo novo, o desafio é o que me estimula. Descobri que sou polivalente e gosto de trabalhar em todas as áreas, porém na minha área de formação profissional, que é a moda, é muito ampla as possibilidades de atuação, mas aqui o mercado é muito pequeno. O mercado editorial é quase inexistente e é o que mais me fascina na moda. E depois, a criação de vestes masculinas.  Não posso deixar de comentar sobre reconhecimento financeiro. Hoje também busco ser reconhecido e valorizado também nesse aspecto. E nesse sentido, busco caminhos onde eu possa ter tudo isso, mas também o retorno financeiro rápido.

Você é figurinista, estilista… Ainda é ator? Qual é a sua cachaça? Tem alguma outra coisa que deseja fazer, mas que ainda está no campo dos sonhos?

Sou estilista, figurinista e produtor cultural, profissão que iniciei minha carreira artística há mais de 15 anos.

O palco, eu considero que foi um laboratório para eu entender para quem eu iria desenvolver a minha arte. Pesquisa e criação são a minha cachaça.

Estudar fora é um desejo e a dança uma paixão que namoro de longe com vontade de casar rsrsrs

Você acha que na Bahia existe a possibilidade de viver da sua arte? Nos últimos anos tivemos vários profissionais baianos partindo para o eixo Rio-São Paulo e, agora, vemos muitos deles de volta à Salvador. O que a Bahia tem e não tem para determinar essas idas e vindas?

Nesse sentido, reconheço que mais que viver da minha arte, tenho sobrevivido. Possibilidade de ter uma possível boa vida de trabalho frequente e bom retorno financeiro aqui na cidade. No Estado existe. Porém, o difícil é passar pelo funil do mercado e da política da panelinha. Só com muita persistência e dedicação.

Sobre esse fluxo de idas e voltas de artistas locais para o eixo RJ-SP, nos casos de atores e alguns bailarinos, que é o que estou mais perto, eu tenho percebido que tem sido para desbravar o mercado, e busca de maiores oportunidades de trabalho. A indústria de musicais e cinematográfica estão em alta nesse eixo, além do mercado nacional todo estar mais de olho nesse eixo, podendo ser vitrine de projeção até para outros lugares e mercados. E o retorno tem muito a ver com as dificuldades encontradas e, muitas vezes, por ser aqui, um dos maiores pátios de formação de artistas de bases.

Você trabalhou muitos anos em Arte-Educação… Qual é o papel dela em sua vida? Ainda trabalha nessa área?

Desde meus 12 anos sou envolvido em projetos sociais. Com 14 conheci o CRIA, que como ator fiquei até os 18 anos, e dos 18 aos 28 fui produtor executivo e educador. Todo esse caminho de convivência com a arte, me fez ser quem eu sou, me proporcionou vivências, experiências e conexões milhares. Hoje tenho vontade de aliar a minha experiência num processo participativo formativo. Tenho e estou tentando conhecer, a fim até de desenvolver um trabalho junto à Fábrica Cultural, Organização idealizada pela artista Margareth Menezes, que é localizada na área da cidade em que sou nascido e criado, a  península itapagipana!

Como você define o atual momento político brasileiro?

Estamos em estado de pressão alta! Infarte fulminante anunciado!!

O que nós, artistas, podemos fazer para que a cultura seja vista como uma de nossas prioridades?

Os artistas são os indivíduos mais livres na sociedade e, por serem livres, tem e buscam mais conhecimentos e, com eles, propagam e formam opiniões. A informação e a liberdade intelectual é a ferramenta para qualquer transformação. A arte, com conteúdo reflexivo, já ajuda, e a arte pela arte é fundamental.

Com quem você gostaria de trabalhar e ainda não trabalhou? Quem são os seus mestres?

Na cidade, com música e artistas de carnaval, gostaria de pegar a imagem de um cantor ou de uma cantora e desenvolver um produto pro carnaval. Já fora, eu desejo trabalhar na equipe de uma produção de novela de época, minissérie ou filme. Desde à pesquisa até a confecção e caracterização do figurino e da cenografia também.

Quem é Cassio Caiazzo por Cassio Caiazzo?

Sede de conhecimento, vontade de arriscar, determinação, curiosidade, inquietude e amor.

Dilma é…

A bola da vez

A Bahia é…

Linda!!!! Mas é atrasada demais!!! Vivemos no paraíso natural, onde o mais amplo significado da palavra desenvolvimento é ameaçada por um comportamento e pensamento retrogrado!!

O Brasil é…

Um paraíso natural, tradicional e cosmopolita, mas sem desenvolvimento social, educacional e ético.

Nas horas vagas gosto de…

Andar de skate, patins, brisar na praia e dançar

O traço marcante de sua personalidade é…

Persistência e teimosia

Você joga um ovo em…

Feliciano e corja político-protestante

Guarda mágoa de…

Não guardo mágoa, tento fazer o exercício de cultivar e emanar o bem, mas isso não me faz ser idiota.

Sua frase preferida é…

Só o Amor constrói! E não acomode o que te incomoda!

Não suporta…

Inveja e falsidade!

Adora…

Cores, aromas e sabores

Se não fosse figurinista/estilista, seria…

Alguma profissão acadêmica ou esportiva, ligada a esporte, natureza e adrenalina

No trabalho detesta…

Corpo Mole

Gosta de chegar em casa e…

Ter a segurança de um lar e comer frutas

Adora falar sobre…

Homem (gente) rsrs

Não abre mão de…

Ver o mundo torto rsrs

Sua mania é…

Controle e organização, mesmo que não tenha lógica pra terceiros

Arte é…

Combustível e delirante

Não fica sem…

Perfume e chocolate

É fanático por…

Sensações e liberdade

Como manda o seu figurino…

Uma possibilidade de trampolim/vitrine sobre o que eu faço, não sobre O MEU trabalho. Um jogo que tive a falta de sorte de não conseguir mostrar as minhas possibilidades de criações.

Mas que só pelo processo de identificação, que foi nacional, me tranquiliza em saber que tenho um potencial, e isso me dá mais coragem de caminhar até por terrenos nunca antes imagináveis, mas nem por isso, menos desejados. A única coisa que pode acontecer em sonhar alto é o sonho se realizar!

PicMonkey CollageComomandaFigurino

Figurinos idealizados por Cássio nos dois episódios que participou de “Como Manda o Figurino” vestidos por Grazi Massafera (estilizando figurino de O Clone) e Leandro Hassum (estilizando o figurino de Capitão Gay)

Recado dado, Cássio !!! Sua estrela é muito maior e vai brilhar, de certo !!! I believe it !!! 

Quem quiser conferir a primeira parte da entrevista CLIQUE AQUI!

Até mais !!!

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16 de abril de 2015

Como manda o figurino de Cássio Caiazzo ! – parte I

Oi, meu povo!

Chegou o momento de entrevistar outro amigo. CÁSSIO CAIAZZO é estilista, figurinista, cenógrafo e produtor cultural, baiano, e participou recentemente, de forma brilhante, do quadro “COMO MANDA O FIGURINO”, do “Fantástico”, que também faz parte da celebração dos 50 anos da Rede Globo.

Conheci Cássio, ainda adolescente, quando trabalhávamos juntos num projeto. Ele não manda recados, é destemido, determinado, inteligente e, o melhor, É FELIZ.

Eu guardo com carinho uma vez, quando estávamos voltando de uma das apresentações pelo projeto e, de dentro da van, ele nos mostrou, orgulhoso, as ruas onde sua mãe limpava. Ela trabalhava numa das empresas que limpavam as ruas de nossa cidade. Os olhos dele brilhavam e eu nunca esqueci a imagem de sua alegria enumerando o volume de feitos dessa mãe guerreira.

Eu pedi pra ele responder a uma entrevista e ele me deu uma história massa! Confesso que me assustei quando vi o tamanho de suas respostas às perguntas. Nossa, ele tem muito a dizer! Pensei em pedi-lo pra resumir, mas cadê coragem diante de interessantíssima história? Como resumir alguém tão plural? Amei! E se ele quer falar, quem cala? E se fala tão bem, quem cala? Vou colocar TUDO. Sem cortes. #SouDessas. Sou canceriana, apegada. Apenas vou jogar o golpe de lançar em duas partes. Na primeira, ele nos conta o início de sua trajetória e um pouco de como tornou-se um dos participantes de “COMO MANDA O FIGURINO”. 

Gente, tudo isso daria um  bom livro, juro! Eu quero ler novamente. E tenho certeza de que você vai querer também. Uhuhuhu Obrigada, Cássio!

Tá com tempo? Aprecie. Não tá com tempo? Guarde para depois. Mas leia TUDO. Você não vai se arrepender. 

Simbora!

Cassio Caiazzo

Cassio Caiazzo

Pra começar, fale nos um pouco sobre “’Como Manda o Figurino’”, quadro do programa “Fantástico” que você”  fez parte? Como surgiu?

Em meados de Outubro, fui contacto pela Rede Bahia, filial da Globo local, e fui comunicado que tinha sido indicado como um profissional de figurino, por um artista da cidade (não disse quem era) e que eles gostariam de falar um pouco sobre o meu trabalho.

A primeira gravação ocorreu e, minutos antes de ir para entrevista, outro amigo, também estilista, me ligou perguntando se eu teria uma conversa com alguma equipe de gravação. Eu disse que sim, ele meio que me explicou o que era e que ele também tinha sido indicado. Pela entrevista dele, ele disse que o perfil que eles queriam de figurinista era o que eu exercia, e me indicou também.

Aí o rapaz que o estava entrevistando falou pra ele que já estava vindo me entrevistar. Na verdade, ele me ligou pra saber se eu sabia ou não do que se tratava. O entrevistador, que na verdade era uma pessoa da equipe de marketing, tinha perguntas genéricas, que pediam que eu falasse como era meu processo criativo, quais caminhos eu percorria, técnicas, tempos e tal.

Três dias depois, recebi outra ligação pedindo que eu gravasse, mas, desta vez, mostrando desenhos, referências de pesquisas e trabalhos. Então, passou-se um período de quase 20 dias, recebi  um informativo explicando qual era sentido das gravações e me convidando para o projeto. Assinei um contrato de sigilo e fiquei respondendo dados e atendendo várias demandas. Até que recebi “mais uma vez” a equipe de gravação, com o convite já para viajar no outro dia.

Conte-nos sobre o início de sua sua trajetória. Como começou a sua careira?

A minha história de vida começa, na minha memória, quando eu e minha família (minha mãe e minhas duas irmãs mais velhas),  ainda quando criança, saímos da casa de aluguel, num cortiço da ribeira, para integrar às centenas de pessoas que invadiam o bairro da Massaranduba, ainda quando praia, para garantir uma moradia. Como milhares de pessoas nesse país, sou filho de mãe solteira. Nunca conheci ou tive apoio ou presença qualquer da figura paterna, porém, a referência da figura materna, sempre foi meu grande exemplo de superação, determinação, caráter, alegria e perseverança.

Criado num humilde barraco de madeira até meus  dezesseis anos, tive uma infância rural, dentro de uma cidade urbana. A nossa casa era muito pequena, mas o terreno conquistado nos deu, além de muito trabalho, muitas alegrias também. Cultivávamos mais de três tipos de bananas, manga, coco, abacate (em duas espécies também), pitanga, acerola, cana, feijão de vários tipos, aipim, batatas, inhame, além de tantas plantas ornamentais e medicinais. Era verdadeiramente uma fartura, regada a muito suor representado nas mais de 200 caçambas de entulhos, que minha mãe comprava e, algumas vezes, ganhava de seus amigos, que também nos ajudavam a “colocar para dentro”  para ganhar mais terreno e vencer a força da maré.

Me lembro que todos ajudavam, até eu, com um baldinho ia colocando terra para dentro. Sempre foi muito difícil, mas muito alegre também. Tanta fartura não ficava somente conosco. Minha mãe sempre teve o dom de partilhar, seja em terreno, que deu parte a uma família com cinco filhos, que chegou depois da invasão, ou mesmo a própria casa, por onde passaram mais de trinta pessoas que moraram com a gente. Da mesma forma era ( e até hoje é) com todos os frutos que a nossa terra dava! Até hoje, ganhamos frutas das mudas que minha mãe trouxe quando saímos desse terreno, e que ela deu para quem tinha terrenos ou quintais.

Mas nem tudo foi tão fácil. Minha mãe teve que sair do trabalho para tomar conta de mim e  de minhas duas irmãs, pois como um território sem lei, no bairro existia muita marginalidade e o índice de assassinatos, estupros e tráfico de drogas sempre foi muito forte. Lembro de muitas famílias que perderam seus filhos de maneira brutal, de homens encapuzados adentrarem casas de famílias, tirarem os filhos amedrontados dos braços de suas mãe e trazerem para fora e serem cravejados por balas na porta de casa. Minha mãe, guerreira e felina, como sempre foi, decidiu cuidar da cria como podia, sempre com dignidade! Fazia manicure, lavava roupas de ganho, vendia deliciosos e disputados geladinhos e, por um tempo, teve um pequeno bar, só para seus amigos, muitos pescadores, que sempre traziam frutos do mar, dos mais nobres aos menos conhecidos, mas de sabores inigualáveis.

Lembro que também vivi muito forte a cultura pesqueira das marés da ribeira. Famílias passam em quase procissão, em épocas de luas cheias e marés baixas, para pescar mariscos e crustáceos, e minha mãe sempre atenta, ia e nos levam também. Voltávamos com baldes cheios, às vezes carros de mão, cheios de frutos do mar, pescados por nós e o processo era longo: limpar, cozinhar, catar… era sempre uma grande diversão. Eu lembro que me divertia em catar siris e crustáceos entre os recifes e os milhares de destroços de barcos, um dia naufragados ou abandonados, afundados, que só aparecem, até hoje quando a maré seca. E eu, como sempre curioso, era isso que me atraía, e enquanto minha mãe e minhas irmãs, na companhia de vizinhos e às vezes familiares, mariscavam, eu, muito pequeno, desbravava aquele mundo novo. Sempre foi assim. O novo, o desconhecido sempre me atraiu. E essa curiosidade era temida por minha mãe, devido ao tal lugar onde morávamos.

Eu aprendi a desenhar muito antes de escrever. Por conviver com os poucos e preciosos materiais  de desenho escolares de minhas irmãs mais velhas, colorir e desenhar eram a minha grande diversão. Lembro de um caderninho de desenho, distribuído pela escola/estado que só tinha desenho de roupas. Nessa época já um pouco maior, quando voltava da escola, ficava na casa de uma amiga de minha mãe, chamada Lila, que desde sempre a chamei de tia, e quando voltava da escola, passava horas na sua casa, que era também seu ateliê, primeiramente, para assistir televisão, que na nossa casa não tinha, pois numa das mudanças das caçambas de entulho para dentro, eu em uma das minhas traquinagens, tombei e a TV caiu. Ficamos anos sem, só depois, já com minha mãe trabalhando e, com a ajuda de um amigo de minha mãe, a quem também chamávamos de tio Israel, compramos uma TV preto e branco. Mas antes disso, esse meu convívio na casa de Tia Lila, entre milhões de tecidos e aviamentos me fascinava. Ver e, muitas vezes, acompanhá-la desde a compra do tecido até a entrega da roupa para a cliente, vendo todo o processo da construção da roupa era fascinante. Me divertia e tentava copiar, os desenhos dos estilistas, que ficavam no ateliê, após a entrega das peças. Até hoje tenho algumas cópias.

Mesmo criança, com esse interesse pela moda/indumentária, sofri, aliás, eu não, minha mãe, que ouvia retaliações de parentes e amigos, que diziam que minha mãe tinha que parar de me cuidar como uma menina ou que moda era coisa de viado. Minha mãe, sempre guerreira e independente, nunca ouvia calada, dizia que viado ou não, eu era filho dela e que eu seria o que eu quisesse da minha vida; que no dia que alguém a ajudasse a nos criar, educar e alimentar, talvez ela pudesse escutar, mas mesmo assim sendo, ia ser como ela queria, pois quem abriu as pernas para parir cada filho foi ela, então que ninguém se metesse na educação dada por ela. Minha mãe sempre foi muito guerreira e pés no chão! Características que aprendi com o exemplo e trago comigo hoje e sempre!

Porém, com o convívio da realidade financeira que Tia Lila levava, e por conviver com um outro grande amigo alfaiate do bairro, o Nelson, quem sempre fez minhas roupas (tia Lila fazia as de minhas irmãs e de minha mãe, e Nelson fazia as minhas), atrelado a outros fatores externos e significativos, na época, como a minha extrema curiosidade em tudo, a minha tão criticada inocência ou falta de malícia, como diz minha mãe; a marginalidade e violência no bairro, a ignorância alheia sobre tal profissão e o preconceito; minha mãe aos poucos me deu outras alternativas de diversão e interesse, e gradativamente fui esquecendo a moda.

Fiz parte de banda (tipo fanfarra da escola), coral, igrejas até começar a fazer teatro, o que de inicio me fascinou, mas que na verdade era mais uma atividade de ocupação de tempo, quando não estava na escola e minha mãe tinha que trabalhar. Fiz parte de um projeto social da prefeitura, chamado Fundação Cidade Mãe, onde meu contato com o mundo as artes foi fascinante e arrebatador! Fiquei lá por dois anos. Fiz teatro, dança, capoeira, informática, além de conviver com outras pessoas que faziam outros cursos como TV, vídeo e corte e costura. Por ser um garoto que todos conheciam e conviviam na instituição, fui chamado para fazer um vídeo institucional sobre a atuação do projeto na cidade. Foi quando, paralelamente, outra instituição de caráter educacional e artístico, uma ONG, convocou muitas instituições sociais da cidade, que trabalhavam com jovens e arte, para discutirem sobre os Direitos Humanos, pois um jovem dessa Instituição, o CRIA – Centro de Referência Integral de Adolescentes, sofreu violência policial, dentro de sua própria casa, por ser supostamente suspeito de alguma coisa, por ser negro.

Conheci essa instituição e lá foi meu primeiro grande espaço de escuta e convívio com jovens de diversas faces da cidade, como eu, e que tinham muito pra falar, reivindicar, questionar, mas que, primeiramente, tinham que aprender a se conhecer, num processo pedagógico permanente em responder uma simples pergunta: “Quem sou eu?”  e a conviver  com os diferentes  e iguais, e que na vida éramos peça fundamental para todo e qualquer processo de mudança e transformação. Foi com esse murro na cara que tive que aprender a me responder e a me posicionar no mundo. Entendendo que o coletivo é feito de indivíduos e que para respeitar o outro, tenho que respeitar a mim mesmo.

Fiquei durante quatro anos num grupo de teatro chamado Mais de Mil, que tinha como foco no seu espetáculo, falar sobre a realidades das escolas, e todas as suas interfaces. Em grupo, viajamos  para muitas cidades do interior do Estado da Bahia e muitos outros Estados. Sempre, após os espetáculos, abríamos um bate papo com a  platéia para discutir as coisas trazidas pela peça, que nunca ficava pronta, pois sempre que ouvíamos casos e fatos interessantes e pertinentes, tínhamos que, de alguma forma,  introduzi-los no espetáculo, sob a direção da incrível Arte Educadora Carla Lopes.  Desde sempre, sabíamos que o Estar no CRIA era passageiro e que deveríamos nos posicionar no mundo, e que buscássemos sempre a formação acadêmica, para sermos quem quiséssemos ser.

Aí, me descobri um Produtor Cultural, por exercitar tal função, nas realizações dos grandes encontros e festivais realizado pelo CRIA e tendo a Arte como centro de tudo, e ver os olhos de duas pessoas brilharem, Beth Vieira e Daniela Matos, sempre minhas referências profissionais e éticas, na realização de cada ação. Foi nos olhos delas que me vi um profissional Produtor Cultural, e com elas comecei a caminhar, com apoio e apoiando o CRIA, durante dez anos.

No início dessa nova etapa no CRIA, não mais como jovem ator e, sim, como integrante da equipe de produção, me preparando para o vestibular, nesse mesmo período, surgem possibilidades de pensar figurinos, para os espetáculos do CRIA, que, nessa época, descobria e começava a trabalhar a literatura como ferramenta de arte-educação, criando espetáculos de rua e recitais poéticos. Os primeiros figurinos assinados por mim, talvez até mesmo antes de entrar na faculdade de moda, foram para o CRIA, e, justamente por causa disso, volto a despertar o que desde o inicio gritava em mim, porém a trajetória que fiz, me fez ter certeza sobre profissão que me escolheu.

Descontente por não existir uma universidade pública e gratuita de moda, continuei focando meus estudos para entrar na universidade Federal de Produção Cultural, fazendo cursinho pré vestibular e todos os tipos de provas similares para testar meus conhecimentos. Alguns anos, passei nas primeiras fazes, em outras universidades particulares, mas sem condições financeiras para bancar tais estudos, até que quando, de praxe, sem maiores pretensões, somente para  avaliar meus conhecimentos gerais e um comparativo com a média nacional, fiz  mais um Enem, prova até então sem nenhum tipo de portaria para universidades publicas. Mas esse ano em específico, o Governo Federal, lançou o programa universidade para todos e recebi em casa uma carta comunicando que minhas notas me classificavam para participar do programa e que teria altas possibilidades conseguir uma bolsa integral, numa faculdade particular. Quem me deu a notícia foi minha mãe, por telefone. Não acreditei muito, mas por sabedoria e incentivo dela, decidi fazer a inscrição e, para minha surpresa, tinha bolsas de estudo disponíveis em faculdades que tinha cursos de Moda. Não hesitei, lembro-me que minhas primeiras opções foram para os cursos de moda e design, o que não agradou muito a minha mãe, de inicio, já que ela via a possibilidade de estudar algo mais certo, em relação a retorno financeiro, pois ela também sempre reconheceu que o estudo pode ser um fator de transformação econômica e social. Passado alguns dias, no trabalho, num expediente qualquer, no CRIA, recebi um email dizendo que eu tinha passado na minha primeira opção escolhida. Na hora, caiu uma lágrima de ver a possibilidade de estudar o que sempre quis e de ter passado por um funil que era massacrante, que é o vestibular. Liguei em prantos pra minha mãe, que, do outro lado , pulava de alegria, celebrava e chova de emoção por tal feito. Seu filho caçula, finalmente teria nível superior, um dos primeiros da família.

Logo no início das aulas, a coordenação do curso me chamou e disse que, por conta das minhas notas, eu teria possibilidade de trocar de curso, pois a faculdade tinha bolsas para medicina, administração e direito, se era do meu interesse. Eu permaneci com a ideia de estudar moda e fui com tudo estudar o que eu queria. Meu deslumbramento em ter passado, não me fez perceber os grandes desafios que teria. Um jovem pobre,  estudando numa das melhores faculdades particulares da cidade, e isso não me frustou. Percebi mesmo tal impacto com a lista de materiais e livros indicados por cada matéria e, com muito esforço, comprava o básico do básico, e quando chegava em sala para realização de aulas de ilustração e desenho, principalmente, sentia que tinha que fazer a diferença, mesmo não tendo o mesmo material que a maioria dos meus colegas tinham. E isso me fez ser um dos alunos com as melhores notas durante todo o curso. Minhas dificuldades foram superadas pela força de vontade e criatividade. Desde as férias do primeiro semestre, busquei interagir e trabalhar na área que houvesse vaga na minha cidade. Por coincidência, já tinha amigos modelos e conhecia alguns estilistas, e na cidade estava acontecendo duas semanas de moda, cada uma promovida por dois grandes shoppings Centers e consegui, pedindo indicação a uma pessoa aqui, outra ali, a trabalhar nas duas.  Logo depois, sendo mais conhecido na faculdade por alunos de turmas anteriores, fui convidado por  uma colega de curso, de uma turma mais avançada, que seria minha chefe, a montar um núcleo de Produção de Moda para TV na TVE. Lá, tive contato com os traquejos de fazer televisão, e um contato mais direto com lojistas e marcas da cidade. Nesse período, trabalhava sempre em dois lugares; com moda em qualquer lugar, desde que a experiência fosse nova e enriquecedora, e com produção cultural no CRIA, por amor e dedicação.

Porém, ao se aproximar o termino do curso na faculdade, me bateu um leve desespero sobre o que faria com o Diploma de Designer de Moda, atuando como produtor, numa ONG, onde sabemos que a vida financeira nem sempre é estável. Foi quando a Funceb abriu um concurso de REDA e tinha entre os cargos, a função de Coordenador do Acervo de Figurino, e eu preenchia todos os requisitos para ocupar a vaga, se fosse classificado. Fiquei em segundo lugar, depois de seis meses do resultado do edital, fui convocado para assumir o Cargo, porém, sendo subestimado por minha chefe imediata na época, Renata Motta, então coordenadora do Centro Tecnico do TCA, a deixar ser coordenado pela então assistente, entrando somente para compor o quadro funcional. Mas, no dia a dia, seria coordenado pela minha assistente, a qual ela achava ser a melhor pessoa para assumir tal função. Tive que pisar forte, falar grosso, me impor e ocupar o meu lugar, o que não foi fácil, já que não tinha espaço para isso. Qualquer outra pessoa poderia aceitar tal condição, pelo retorno financeiro, mas eu que sempre quis ser realizado profissionalmente não deixei e assumi o que era meu por direito.

Na minha gestão, as mudanças no acervo de Figurino do TCA, que é público, passaram a ser extremamente mais democráticas e acessíveis para toda a classe artística da cidade,  tais cuidados, foram reconhecidos por alunos da Escola de Teatro da UFBA, grupos artísticos em geral, artistas independentes e os próprios profissionais avulsos ou da casa, aposentados e em atividade. O que trouxe para o TCA um maior reconhecimento da importância de tal acervo, sendo acrescido por doações de figurinos de espetáculos inteiros, bem como roupas que serviam para figurinos. Com esse posicionamento sobre conhecimento de conservação têxtil e cuidados com figurino,  tive muitas portas abertas para trabalhar com grandes produções e diretores de teatro da cidade, inicialmente como camareiro e, com o passar do tempo, mostrando o meu trabalho e competência. Cheguei a assinar figurinos que me deram destaque na carreira.

A área artística em salvador, por ser uma área de praticamente compadres e comadres, as coisas só funcionam por indicação, o que quase nunca aconteceu comigo. E por ser novo no mercado, cada cliente era conquistado praticamente na unha, e em cada trabalho me esmerava mais e mais para mostrar que, além de gostar do que fazia e faço, sei fazer e tenho competência, o que me deixava confortável e confiante para aturar como um bom figurinista da cidade. Claro que tive milhões de desejos de trabalhar com diretores e artistas locais, envolvidos com grandes produções, afinal sempre gostei de desafios e crescimento, mas isso raramente foi possível.

Com minha saída do TCA, bateu um novo desespero sobre o que fazer, já que a minha cidade tão amada e querida, parecia não ter mais o que oferecer, profissionalmente. E eis que surgiu quase o êxodo da seca,  em que só me via realizado, trabalhando com o que gosto e crescendo, como pessoa e profissional, se saísse da cidade. Então fui surpreendido para voltar a trabalhar com figurinos, e em alguns Jobs, com maquiagem para publicidade. E é o que vem me sustentando junto com os não freqüentes convites para assinar figurinos para Dança, Teatro e música. No meio desse não tão novo já conhecido ambiente e ritmo de trabalho, exatamente no mês de outubro de 2014, sou convidado por uma emissora local a falar sobre o meu trabalho e processo criativo. Despretensiosamente, compartilhei as experiências e o cotidiano sobre o meu trabalho e dos meus processos criativos e  fui surpreendido em saber que fui escolhido, entre os novos melhores figurinistas do Brasil, revelado pela minha amada terra, que até então eu a subestimava.

Quero, como sempre quis, desbravar novos mercados e fronteiras, mas quero também poder dar pra minha cidade, o melhor de mim, seja como produtor ou figurinista, pois Salvador, A Cidade Baixa, é o meu lugar! E saber que posso rodar o mundo e ter sempre o meu lugar, é mais que importante, é confortante!!!

Com os colegas de "Como Manda o Figurino", quadro do programa Fantástico, Rede Globo

Com os colegas de “Como Manda o Figurino”, quadro do programa Fantástico, Rede Globo

*** Não perca a segunda e ultima parte da entrevista em breve, aqui no blog!!! ***

 
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12 de abril de 2015

ACARAJÉ COM HAWAII : CURTINDO AS PRAIAS DO LESTE !!!

Oi, gente !!!

Amei conhecer as praias do leste de Honolulu !!! São lindíssimas !!! Com direito a exibição de baleias !!! Muita emoção pra uma só pessoa !!!

Aproveite o vídeo !!!

Ah! Não esqueça de CURTIR o vídeo. Tem uma mãozinha pra cima logo abaixo dela. É só clicar nela e pronto. Super agradeço.

Aí se você se inscrever no canal, compartilhar e comentar meus vídeos, ficarei mais feliz ainda !!!

Um beijo da HaBaiana de cá !!!

 

 

 

 

 

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7 de abril de 2015

Livros Eróticos

Oi, gente !!!

Aqui estou eu, vivendo uma grande maratona de leitura de livros !!! Gostaria de avançar mais, porém não é o momento de me obrigar. Estou bastante atarefada tentando aprender ENGLISH,  que tá puxado, então, não posso enlouquecer (mais).

Percebi que no ano passado comprei muitos livros chamados eróticos. Alguns pelas capas, outros pelas sinopses e outros porque quis mesmo. Uma vez comprados, agora tenho que dar conta, né? Ou seja, simbora !!!

Os ditos livros eróticos, nada mais são do que versões “remasterizadas” de Julia, Sabrina e Bianca, coleção que nossas mamães e vovós conheciam bem. Muito romance, mocinhas indefesas, rapazes complicados, porém charmosos, ricos e por aí vai. A diferença é que a versão de hoje é mais cheia de glamour e suas autores apostam nas sagas, série, trilogias, quintologia (É assim?), essa coisa, muitas vezes, chata de não terminar a história em um. Negócios? Mais dindim? Talvez. Mas que é enrolação, é.

Não é coincidência, todos os livros que cito aqui tem ambientação nos Estados Unidos. Comprei exatamente por isso. Porque nos ultimos anos passei a ter uma relação estreita com o país, que hoje em dia também é a minha casa. É muito bom reconhecer lugares através da leitura e imaginar os caminhos trilhados pelas personagens com conhecimento e propriedade. E os que ainda não são conhecidos, passam a fazer parte da minha listinha de próximas visitas. Amo!

Veja o vídeo com um resumo básico de três histórias.

A primeira, que me introduziu há anos a esse tipo de leitura, que é a agora Quintologia (era trilogia quando comecei a leitura) Crossfire, de Sylvia Day – Toda Sua, Profundamente Sua, Para Sempre Sua e Somente Sua. Segundo fontes (sempre quis escrever assim kkkk), o quinto e ultimo livro da série será lançado ainda esse ano e o nome será Todo Seu. Quanta criatividade nos nomes, né? #SQN kkkk

Essa é a história de Gideon Cross e Eva Tramell e se passa em New York. Amoooooooo essa cidade e agora que estou aprendendo inglês não vejo a hora de explorá-la mais !!!

A editora brasileira é a Paralela.

Tomara. Enquanto isso, em greve, não compro nenhum livro da Sylvia antes de terminar esse bendita série. E tenho dito.

A serie Crossfire... Falta o quinto e último livro a ser lançado ainda esse ano. Espero!

A serie Crossfire… Falta o quinto e último livro a ser lançado ainda esse ano. Espero!

A segunda é a Bibliotecária, de Logan Belle, que é a história de Regina, uma mulher que sempre sonhou em ser bibliotecária e se muda para Nova York para trabalhar na biblioteca publica. Eis que lá encontra Sebastian e, com isso, muita coisa pode mudar em sua trajetória.

A editora brasileira é a Record.

As várias capas de A Bibliotecária... A minha é a primeira

As várias capas de A Bibliotecária… A minha é a primeira

A terceira é a série A Ruiva, dividida em A Ruiva Misteriosa, A Ruiva Revelado e A Ruiva Popstar, que, com certeza, foi a que mais amei, talvez porque a personagem principal é atriz como meu, além de estar na mesma faixa etária e, com isso, falar de coisas que entendo e me identifico.

A história se passa basicamente em Los Angeles, mas também tem uma passagem em New York (sempre ela).

Além disso, tem o foto da autora terminar a história sem enrolações. Se não houvesse o segundo e o terceiro livro, seria ok. E se ela quiser fazer outros, ok também. O felizes para sempre pode não ser tão felizes e a gente pode acompanhar também. Amei.

A série A Ruiva é tuuuuuuuuuuudo de bom e as capas são incríveis !!!

A série A Ruiva é tuuuuuuuuuuudo de bom e as capas são incríveis !!!

Só lembrando que esses livros são para maiores de 18 anos, tá?

Não esqueça de ver o vídeo com um resumo básico das histórias.

Não deixem também de se inscrever no canal, compartilhar e curtir o vídeo. É muito importante, pois estou gostando de investir no youtube.  É um desafio massa !!! Aprendendo a cada dia !!!

Um beijo e até mais !!!

 

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3 de abril de 2015

Ricardo Castro e quem souber morre!

Há algum tempo acredito que não dá mais para ser artista sem ter o poder de gerir, em algum momento, a sua carreira, sem ficar em casa esperando convite de quem quer que seja para trabalhar. Admiro quem vai à luta e constrói com sabedoria o seu caminho. RICARDO CASTRO, para mim, é desse tipo, senhor do seu destino. E isso não quer dizer que ele também não se joga nos testes e, nem tão pouco, não goste de receber convites! Ele é dos que fazem e aproveitam as oportunidades! Já fez novela (intepretou o personagem Caroço em “Araguaia”, folhetim das 18 horas, da Rede Globo), apresentou programa de TV (“Soterópolis” na TVE) e esteve no elenco da primeira montagem de “Abafabanca” e “A Bofetada”, da Cia de Patifaria.

E como exemplo de artista que toma conta de sua trajetória, RICARDO estreia agora em 11  de Abril, no Teatro Módulo, “Quem souber morre!”, mais um espetáculo que promete fazer “barulho bom”, tanto quanto “R$1,99”, monólogo criado e interpretado por ele, que completou 15 anos recentemente. Nas duas montagens, além de atuar, ele dirige, ilumina, opera, é figurinista… UM ABADÁ PRA CADA DIA ! 

"QUEM SOUBER MORRE! Uma comédia, um manifesto, uma tragédia, um pedido de socorro, uma homenagem, uma visão agridoce sobre a minha amada Salvador." Ricardo Castro Toto: Marcelo Mendonça

“QUEM SOUBER MORRE! Uma comédia, um manifesto, uma tragédia, um pedido de socorro, uma homenagem, uma visão agridoce sobre a minha amada Salvador.” Ricardo Castro Toto: Marcelo Mendonça

Estou muito feliz em trazer de volta a seção de ENTREVISTAS no blog e já começar com RICARDO, que é multi, é plural, é inspirador, é massa e eu amo! Porque, como ele mesmo diz, “quem souber morre… sabido.”.

Obrigada, Rick! E merda nessa nova aventura!

E vamos a entrevista?

É sempre bom relembrar ou conhecer o início da trajetória de quem a gente gosta. Conte-nos como foi o início de sua careira.

Comecei numa oficina de Fernando Guerreiro e depois fui convidado por Filinto Coelho pra atuar em “Kripta” do grupo Suplemento Juvenil. Depois entrei para a Companhia Baiana de Patifaria onde fiz “Abafabanca” e “A Bofetada”. Foi assim de um espetáculo para outro até hoje. Sem pausa e sem pressa.

Fale agora um pouco sobre “Quem souber morre!”, seu novo espetáculo, com estreia marcada para o dia 11 de Abril. Tem questionamentos como “1,99”? E quais as suas funções nessa nova montagem?

“QUEM SOUBER MORRE!” vai falar sobre Salvador de sua formação até os dias atuais, tendo como foco a educação e nossa cultura e costumes mestiços. Quero levar ao palco nossas alegrias e o que ainda falta na nossa cidade.Terá questionamentos e celebrações como em “R$1,99”. Mais uma vez assumo todas as funções. Texto, direção, atuação, luz, figurino…

Os nomes dos seus espetáculos são bem instigantes e interessantes. Como você escolhe? Quem surge primeiro, o nome ou o texto? 

Surge um tema e depois fico de ouvidos e coração abertos escutando o entorno falar. Gosto de escolher um título vindo de uma expressão popular que as pessoas já costumam falar no dia a dia.

Você é ator, diretor, autor, cenógrafo e conheci, recentemente, como fotógrafo (já fui sua “modelo” em um ensaio lindo). Como a fotografia surgiu em sua vida? E quais são os seus planos com ela? Tem alguma outra coisa que deseja fazer, mas que ainda está no campo dos sonhos?

A fotografia me chegou desde muito cedo, ainda adolescente, mas recentemente resolvi desenvolver meu olhar fotográfico em Buenos Aires, estudando com a fotógrafa baiana Mariana David que residia na capital argentina. Acredito que  a fotografia me garante um tempo para contemplar o belo. Tenho vários projetos fotográficos que pretendo desenvolver ainda esse ano. Um deles se chama Molduras Urbanas.

Nos últimos anos você morou no Rio e em São Paulo e agora está de volta a Salvador. Também já tivemos vários artistas baianos no eixo Rio-São Paulo e, agora, vemos muitos deles de volta à Salvador. O que determina essas idas e vindas? E quais as diferenças da cultura nessas três cidades?

Já fui e voltei muitas vezes a Salvador. Me parece que esse movimento constante ajudou a ver melhor minha cidade natal. Como um pintor que se afasta da sua obra para enxergar melhor proporções, formas e cores e no meu caso a natureza do soteropolitano que é única como são únicos cariocas e paulistas e o povo de cada cidade. Rio e São Paulo são cidades grandes e, como tal, cheias de maravilhas e mazelas. Sem dúvida existe um mercado maior nessas cidades, mas acho que em Salvador eu sou mais útil como artista. Sei que irei e voltarei a vida inteira. Sou afro lusitano e assim sendo tenho desejos de mar. Tenho vontade de partir e voltar. Tenho uma alma marinheira.

Qual é o papel da mídia para quem faz teatro?

Divulgar a criação dos artistas e atrair público para as obras. Já tivemos momentos melhores quando havia crítica especializada. Hoje em dia as redes sociais aproximou artistas aos seus admiradores, excluindo edições que muitas vezes ampliavam a distancia entre criador e o público que ele pretende atingir. Vejo com esperança esse novo espaço para discutir arte na rede diretamente com quem se interessa por ela. Sem intermediários.

Cada montagem de espetáculo é uma história. Existe algum fato curioso ou engraçado que marcou sua carreira?

Para nós, artistas de teatro, cada nova montagem é um marco. Cada dia uma vitória imensa. Cada encontro um respiro. Tive a oportunidade de criar em colaboração com grandes artistas brasileiros. “R$1,99” é sem dúvida um marco na minha carreira. Esse espetáculo me elevou a condição de criador e não apenas um interprete. Me fez mais comprometido.

Como você define o atual momento político brasileiro?

Um susto atrás do outro.

É uma pergunta delicada, mas se você fosse um político e tivesse que tomar medidas em relação à cultura, quais seriam as mais urgentes?

Criar outros modelos de financiamento para os que não são aprovados nos editais. Para que os milhares de projetos que não encontraram o apoio junto aos editais, mas precisam acontecer.

O que nós, artistas, podemos fazer para que a cultura seja vista como uma de nossas prioridades?

Não parar de fazer arte!

Com quem você gostaria de trabalhar e ainda não trabalhou, entre atores e diretores?

Gostaria muito de trabalhar com João falcão, com Denise Stoklos, com Harildo Deda, com Yumara Rodrigues, com Igor Epifanio, com Jarbas Oliver, com João Sanches… São muitos desejos.

Além de “Quem souber morre!”, quais são os seus outros planos para o futuro?

Deus ri de quem faz planos, mas pretendo ainda esse ano fazer uma peca com Mariana Moreno. Uma comédia dessas de casal. Uma comédia romântica. Estou escrevendo a peça e adoraria que João Sanches dirigisse. Chama “BATE OUTRA VEZ”.

Quem é Ricardo Castro por Ricardo Castro

Aquele cara do teatro.

Dilma é…

A presidente de um continente chamado Brasil. Um coração valente e angustiado.

A Bahia é…

Minha mãe.

O Brasil é…

Meu futuro do presente.

Nas horas vagas gosto de…

Ler.

O traço marcante de sua personalidade é…

Obstinação

Você joga um ovo em…

Quem tem carteira de estudante falsa.

Guarda mágoa de…

Ninguém.

Sua frase preferida é…

Sem pausa e sem pressa.

Não suporta…

Gente que fala alto demais.

Adora…

Viajar

Se não fosse ator, seria…

Fotógrafo.

Paga R$1,99 para…

Quem tiver coragem de dizer o que pensa.

Paga mais que R$1,99 para…

Quem além de dizer, fizer.

Não paga nem R$1,99 para…

Quem não faz.

No trabalho detesta…

Perder tempo.

Gosta de chegar em casa e…

Ficar nu.

Adora falar sobre…

Arte.

Não abre mão de…

Dar minha opinião.

Sua mania é…

Fazer duas ou mais coisas ao mesmo tempo.

Arte é…

Meu lenitivo.

Não fica sem…

Vontade de ficar.

É fanático por…

Teatro

Quem souber morre…

Sabido.

 

 

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